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CRÍTICA | Às Vezes Quero Sumir – Um drama sobre introversão

Às Vezes Quero Sumir é um filme comovente, com sutis doses de humor, que permite nos relacionarmos com a introversão da personagem.

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CRÍTICA | Às Vezes Quero Sumir - Liberdade ou solidão?

Dirigido por Rachel Lambert, e protagonizado por Daisy Ridley (A Rey, da saga “Star Wars”), Às Vezes Quero Sumir (Sometimes I Think About Dying), filme que rendeu indicação no júri principal à diretora no Festival Sundance, mostra a monótona rotina de Fran (Daisy Ridley), que alterna seu dia entre o trabalho num pequeno escritório e sua casa solitária.

Com takes longos mostrando a cidade pacata dos EUA, o filme deixa a sensação de que as cores usadas poderão refletir de alguma forma no humor da história e sua ligação com a protagonista, como ao mostrar um mundo externo azulado, e apesar de bonito, sem emoção. Enquanto os ambientes internos – como no próprio trabalho onde Fran diz gostar de estar – temos um ambiente quente, mais vibrante, passando uma sensação de aconchego.

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Ambientado dentro do escritório que trabalha em boa parte do longa, Fran é uma pessoa extremamente introvertida e apesar do filme não deixar totalmente explícito, entendemos que ela é uma pessoa deprimida. Por mais que seja quieta a quase todo momento e com cara de “poucos amigos”, Fran é completamente observadora e atenta ao que ocorre ao seu redor, como as conversas de seus colegas de trabalho em momentos de procrastinação perante às obrigações, que são situações comuns e que ocorrem naturalmente na rotina de um trabalho ordinário.

Sua introversão impede que ela interaja com seus colegas de trabalho, e em momentos que está ouvindo as conversas alheias ou quando está sozinha, ela fantasia diferentes formas de morrer, situação essa que passa despercebida por todos, o que nos dá a percepção de que a solidão extrema a qual vive intensifica essa curiosidade pela morte.

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O filme nos permite capturar mais expressividade de Fran, quando Robert (Dave Merheje) aparece e engata novas possibilidades na trama, como o início de um romance e o que nos dá mais esperança: a abertura da Fran para se permitir ter novas experiências.

Os dois formam um casal diferente, mas que funciona em tela. Justamente por sua introversão, vemos Robert persistir em tentar extrair um pouco de quem é a Fran, o que rende algumas expressões como sorrisos discretos, e isso é uma grande conquista para quem está assistindo, pois o filme faz com que tenhamos empatia pela protagonista.

A dinâmica do casal é totalmente divertida, Robert é viciado em filmes e interessado em diversos temas, pensa em possibilidades curiosas que o faz divagar por um mar de assuntos inesperados, enquanto a ingenuidade de Fran em relações interpessoais gera respostas sinceras que traz reações de surpresa no espectador e até mesmo nos personagens da trama.

O drama nos gera expectativa e uma torcida para que Fran possa se abrir com Robert, ou com alguém, e o filme nos traz momentos que pensamos que isso vai acontecer, mas não usa essas possibilidades, talvez mesmo de forma proposital para enfatizar o desafio enfrentado por alguém tão introvertido. Além de tudo, não temos clareza do que motivou Fran a ser daquela forma pois o longa não explora o passado da protagonista. O filme se encerra e fica uma sombra de dúvida sobre alguns elementos expostos na narrativa, mas que não são elaborados em tela.

Às Vezes Quero Sumir é um filme comovente, com sutis doses de humor, que permite nos relacionarmos com a introversão da personagem, empatizar com ela, e também ter um olhar mais delicado para as pessoas ao nosso redor.

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O lançamento de Às Vezes Quero Sumir está marcado para o dia 23 de maio nos cinemas brasileiros.

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